quinta-feira, 24 de setembro de 2009

03 - DESAFIO

Vocês deverão ler os textos que lhes forem apresentados aqui, assistir ao vídeo e escutar as músicas expostas, acompanhando os passos para a leitura de textos poéticos. Após essa etapa, cada grupo terá de selecionar um poema da Literatura Brasileira, pesquisando em livros ou em sites (indicados no Menu "Links para pesquisa" que está do lado direito desse site) e preparar uma apresentação gravada em vídeo, conforme orientações do item “AVALIAÇÃO” . Reservem-no logo enviando sua escolha para o meu e-mail, pois um mesmo poema só poderá ser trabalhado, no máximo por dois grupos.

3 comentários:

  1. Versos Íntimos

    Augusto dos Anjos


    Vês! Ninguém assistiu ao formidável
    Enterro de tua última quimera.
    Somente a Ingratidão - esta pantera -
    Foi tua companheira inseparável!


    Acostuma-te à lama que te espera!
    O Homem, que, nesta terra miserável,
    Mora, entre feras, sente inevitável
    Necessidade de também ser fera.


    Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
    O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
    A mão que afaga é a mesma que apedreja.


    Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
    Apedreja essa mão vil que te afaga,
    Escarra nessa boca que te beija!

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  2. Amor meu, minhas penas, meu delírio,
    Aonde quer que vás, irá contigo
    Meu corpo, mais que um corpo, irá um'alma,
    Sabendo embora ser perdido intento
    O de cingir-te forte de tal modo
    Que, desde então se misturando as partes,
    Resultaria o mais perfeito andrógino
    Nunca citado em lendas e cimélios
    Amor meu, punhal meu, fera miragem
    Consubstanciada em vulto feminino,
    Por que não me libertas do teu jugo,
    Por que não me convertes em rochedo,
    Por que não me eliminas do sistema
    Dos humanos prostrados, miseráveis,
    Por que preferes doer-me como chaga
    E fazer dessa chaga meu prazer?

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  3. O último poema

    Manuel Bandeira



    Assim eu quereria meu último poema
    Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
    Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
    Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
    A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
    A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.


    Com esses versos homenageamos o poeta Manuel Bandeira na passagem dos 40 anos de seu falecimento (13/10/1968).

    Poema extraído do livro " Manuel Bandeira —

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